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Malta!

Bem-vindos ao I am Isabel Silva. Escrevo sobre a minha vida, os meus alimentos, as minhas corridas, o meu Caju. Espero que desfrutem.

Sevilha. Foi demasiada emoção para um treino

Sevilha. Foi demasiada emoção para um treino

A convite da New Balance fui fazer 35 quilómetros na Maratona de Sevilha como treino para a Maratona de Londres, mas nunca pensei que fosse tudo tão bonito e surpreendente.

Já vos disse aqui no blog que aceitei o desafio da New Balance para correr a Maratona de Londres. Para qualquer maratonista, ir a esta prova é um sonho. Comigo não é diferente. A Maratona de Londres é uma das seis majors, ou seja, uma das seis maratonas mais importantes de todo o mundo. E se pensam que é fácil arranjar um dorsal para participar estão enganados. É qualquer coisa como terem 40 mil dorsais para 600 mil inscritos, ou seja, uma verdadeira agulha no palheiro. Todos os anos há um sorteio e cada um de nós pode, ou não, conseguir um. 

Nunca tive essa sorte, e já ando a tentar há dois anos, mas sei de malta que anda há uma vida e sem sucesso. É por isso que me considero uma felizarda em ter um dorsal para Londres e, ainda por cima, estar acompanhada por uma marca que significa tanto para mim. IncríBel! Quando soube que ia ter esta oportunidade assumi o compromisso e soube que tinha de treinar bastante, e com qualidade, para chegar a 28 de abril e sentir-me capaz de correr aquela prova com todo aquele entusiasmo e com a energia que tanto estimo. 

No meio desta preparação, a New Balance ofereceu-me um dorsal para correr a Maratona de Sevilha, essa linda cidade onde, há dois anos, corri os 42 195 metros abaixo das 3h15. Apesar do excelente tempo, não deixou de ser uma prova sofrida, mas podem ler mais sobre esta aventura aqui

Por norma não corro mais do que duas maratonas por ano, por vários motivos mas, sobretudo, pelo desgaste que é e por saber que gosto de correr com qualidade e com saúde. E acreditem, pessoal, preparar uma prova destas envolve muita dedicação nos treinos e muito foco no ano, por isso, normalmente, corro sempre uma no início do ano e outra mais perto do final. 

Posto isto, quando me desafiaram a correr esta prova soube que não era prudente da minha parte correr Sevilha quando o foco estava todo em Londres. Ao mesmo tempo, só perguntava “mas como é que podes recusar um convite destes?”. Era demasiado tentador e o facto de estar a construir esta família com a New Balance Iberia, aliado à minha paixão por distâncias longas, o amor que tenho a Sevilha, onde já fui tão feliz, e saber que ia levar um grupo absolutamente incríBel fizeram-me pensar “como podes não ir, Isabel Silva?”. 

Na verdade, podia, mas com uma condição: tinha de correr a Maratona de Sevilha como um treino longo, de preparação para a Maratona de Londres. Ou seja, não ia correr os 42 quilómetros, desgastar o corpo e levá-lo ao limite a 70 dias de outra maratona. E acreditem, pessoal, fazer um treino longo dentro de uma maratona é outro andamento, ora notem: tinha abastecimentos garantidos, apoio do melhor que há (os espanhóis são os maiores neste aspeto), podia correr rodeada de outros maratonistas, ia estar a sentir o peso do dorsal, que me motivava a dar o meu melhor, e ia estar a sentir toda aquela euforia, adrenalina, ansiedade e alegria que é estar numa maratona.

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Haveria lá melhor teste do que este ao meu foco? Claro que não, e, por isso, defini uma estratégia: ia correr 35 quilómetros, 30 em ritmo 4’45’’ por quilómetros e os cinco restantes a 4’30’’.  

Sabia perfeitamente que tinha um desafio pela frente: cumprir o ritmo e não me deixar mover pelo entusiasmo da prova, isto é, ser capaz de absorver todas aquelas emoções boas mas, ao mesmo tempo, manter a mente focada e saber que, apesar de estar tudo a correr pelo melhor, tinha mesmo de parar aos 35 quilómetros. Digo-vos, pessoal, foi preciso ter muita cabeça nessa hora, e eu tive, é por isso que esta maratona me vai marcar para sempre. 

E agora vocês perguntam, “então mas não ficaste desconsolada por não teres feito a prova toda? Eram só mais sete quilómetros.” É certo que sim, mas naquele momento de corrida, aqueles últimos quilómetros, são um acréscimo que pesa bastante e, apesar de saber que conseguia terminar a prova, esse não era o meu objetivo. A Maratona de Londres está sempre no meu pensamento, já há um ano. 

Sonho com ela há tanto tempo e, por agora, só ela faz sentido para mim. Sempre fui muito determinada e focada em objetivos e foi essa atitude que tive de manter e aceitar que esta prova ia ser só um treino e que tinha de o fazer exatamente como tal. 

Esta prova foi também o momento que escolhi para testar equipamentos novos pela primeira vez.

As Fuel Cell da New Balance

Calma, pessoal, que eu já corri várias vezes com estas sapatilhas, mas, por serem tão leves, reativas e com pouco amortecimento só as tinha usado em corridas curtas e treinos de série, nunca em longos. Estou numa boa fase no que respeita à performance de corrida (ainda não atingi o pico da minha forma, nem quero, ainda é muito cedo), estou a correr com alguma velocidade por isso, achei indicado fazer esse teste. Estava curiosa para perceber até que ponto uns ténis com pouco amortecimento podiam reagir durante e depois do longo. Por outro lado, o João também levou os mesmos para o treino. Desse ponto de vista também é interessante partilhar experiências com alguém que viveu o mesmo. E não é que foram uma agradável surpresa? 

Para mim, estas Fuel Cell são boas para quem tem uma passada reativa e corre com velocidade, porque estes Fuel Cell estimulam ainda mais a velocidade por serem tão leves. Parecem uma luva, sabem? A única coisa que senti foi os gémeos ligeiramente mais doridos depois da corrida, devido ao impacto. Mas não ao ponto de achar que, futuramente, me podia prejudicar. Depois disto, como podem imaginar, fui fazer uma das incríBeis massagens desportivas do Urbano — já vos falei delas aqui — e fiquei como nova..

Certamente podem ser uma opção para correr a Maratona de Londres, mas isso só vai acontecer se estiver numa boa forma. Caso contrário, vou sempre precisar de uns ténis com mais amortecimento.

Os Manguitos

Querem acreditar que nunca na vida tinha experimentado manguitos? E decidi fazer o batismo num longo tão especial como este. Agora, porquê manguitos, perguntam vocês. Vejo o João, o Rui e o Ricardo a correrem de manguitos há anos. Eles adoram. Dizem que são aerodinâmicos e que, em dias frios, são a melhor opção. Já eu, prefiro correr sempre com pouca roupa — calções, top, flipbelt, meias, sapatilhas e siga. 

Por outro lado, também sou bastante friorenta e estou sempre a gelar no início das provas, mas sempre adiei usar os manguitos por achar que ia ficar cheia de calor a meio da corrida e que os ia acabar por mandar fora. Mas vai que decidi comprar uns na feira de Sevilha e experimentar. A verdade é esta: não retiram amplitude de movimentos, tenho a mesma agilidade de sempre e “rapei” menos frio no início da prova. Gostei, e até senti que me ficavam mesmo bem, que acham?

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O top

Mais uma vez, foi a primeira vez que usei este top para fazer um longo. Podia ter corrido tudo lindamente, se não me tivesse esquecido de colocar vaselina na zona do peito. Fiquei cheia de assaduras nessa zona e as minhas amigas de quarto perceberam isso quando ouviram os meus gritos de sofrimento na banheira depois da corrida. Assei mesmo à séria, malta. Por isso já sabem, nunca esquecer de colocar vaselina antes das provas.

Os géis

Há muita gente que me pergunta quantos géis se deve tomar ao longo de 35 quilómetros. Já tive preparações em que tomava quatro, outras três mas, desta vez, só tomei um. Este boost de energia é fundamental durante a corrida, mas muito relativo e acho mesmo que depende do metabolismo de cada um e, principalmente, daquilo que se come no jantar do dia anterior e no pequeno-almoço antes da prova. Eu tinha comido bem, sempre na dose certa, para não ficar empanturrada. Além disso já conheço bem o meu corpo e sei qual é a minha tolerância. Posto isto, tomo sempre o gel quando o corpo ainda não sente necessidade para isso, para depois, quando já estiver em esforço, não andar a correr atrás do prejuízo.  

No entanto, neste longo quis testar os meus limites e só tomei um gel ao quilómetro 17, não que precisasse dele, mas por precaução. Depois disso, não tomei mais nenhum, e ainda fiz um split negativo a partir do quilómetro 30. Isto só prova que tinha muita energia no meu corpo mas sei que, por outro lado, também comecei a prova mais lenta. Faz-me pensar no que teria acontecido se tivesse começado ao ritmo de maratona, mas ainda não posso tirar conclusões, vou esperar pelo próximo longo em que vou aumentar o ritmo.

Durante o resto da prova fiz tudo igual. Hidratei-me em todos os abastecimentos, corri focada, mas sempre com um sorriso, e ainda troquei algumas palavras com outros corredores mas sem grande aparato. Não que não tivesse vontade, mas não queria gastar demasiada energia na fala. Absorvi a energia da música — já vos falei o quanto ela é importante para mim aqui — e das bandas a tocar. Vivi mesmo intensamente este treino.

O Pito e a Praça de Espanha

Quem esteve no Conta-me Tudo no Teatro Sá da Bandeira e no Cinema São Jorge sabe da aventura da Maratona de Sevilha de 2017 e da história do “pito”. Quem não esteve, pode ler a história completa aqui no blog. Claro que vocês me perguntam se o encontrei. E a verdade é que isso não aconteceu. Porém, este domingo vivi algo em Sevilha que não tinha conseguido fazer há dois anos: correr a Praça de Espanha. 

Há dois anos passei ali curvada, com dores de burro e uma intensa dor no peito. Foram os 10 quilómetros mais difíceis de sempre em que não via nada. Só este domingo é que percebi o que era passar ali. Estava forte e muito motivada no meu split negativo, entre o quilómetro 32 e 33, a todo o gás. E digo-vos, malta, olhar para os apoiantes e vê-los a sorrir para mim ainda me dava mais força e energia tão poderosa que me fez chorar de alegria. 

São poucos os momentos da minha vida em que sinto esta adrenalina, só mesmo nas corridas — ou eventualmente quando estou na pista de dança —, e fico profundamente grata quando desconhecidos me enviam fotografias. Eles não me conhecem, mas fixaram o numero do meu dorsal e vieram ao meu encontro. E para eles só consigo ter uma palavra: obrigada.

Cortar a (minha) meta

E o difícil que é ter de parar no quilómetro 35, num momento em que me estava a sentir tão bem? Sabia que era neste momento, entre os quilómetros 30 e 35, que havia mais emoção nesta prova. Era ali nesse momento que se passava a Praça de Espanha, que havia mais apoiantes e música nas ruas. E isto, pessoal, é o vosso melhor gel, que vos dá um boost de motivação para passar aquela barreira com o peito cheio de orgulho. 

Nesta fase não se corre só com as pernas, para muitos, a partir da marca dos 30, a corrida a partir daqui faz-se com o coração. E não vos posso mentir, há algum sofrimento, principalmente para quem não fez uma boa preparação. Para mim, uma boa preparação não significa, necessariamente, estar apto a bater o seu recorde. É sentir que fiz uma preparação que me vai permitir correr com prazer,  não obstante todo o desafio e superação que é uma maratona. Estar bem preparado é chegar ao momento do muro e sentir que está capaz de correr mais 12 195 m com qualidade. E, acreditem, mesmo que custe, a mente é poderosa e ajuda muito nesse momento. 

Neste dia, no meu caso, não tive esse sentimento porque sabia que não ia cortar a meta. Ia apenas terminar o treino no quilómetro 35 e sei que, se fiz um excelente longo, não foi só pelos meus treinos, descanso e alimentação, mas também por estar a correr envolvida pelo espirito de uma maratona. Corri rodeada de maratonistas que estiveram ao meu lado durante vários quilómetros e, mesmo não falando, criamos ali alguma empatia. Lembro-me de um senhor de 60 anos com uma passada incríBel, de um outro talvez ainda mais velho a passar por mim a todo o gás no quilómetro 32 e ainda de um grupo de portugueses que meteu conversa comigo durante a prova. Meteram conversa comigo como se fossemos amigos há anos e eu gosto deste à vontade, porque, na verdade, ali somos família e partilhamos o mesmo amor pelo desporto. 

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Aos 35, parei. Tinha o João Catalão, que já tinha chegado há 20 minutos, à minha espera. Ele é cá dos meus e é por isso que é um grande amigo e parceiro de corridas. Corre com foco, amor e entusiasmo. Quando cheguei, demos um abraço e a primeira coisa que lhe disse é que tinha de ir fazer um “pips”. Então não é que a cinco minutos de acabar tive mesmo muita vontade de ir à casa de banho? Na verdade, podia ter parado para ir aos “aseos”, mas decidi que era melhor não e aguentei até aos 35. 

A partir dali fomos a pé para a meta por um corta mato para evitarmos quilómetros e, durante esse tempo, partilhamos as nossas experiências e sobretudo apoiamos todos aqueles que ainda estavam a caminho da meta! Para quem não corre, é difícil imaginar o quão importante é ouvir bater umas palmas, alguém a dar ânimo, partilhar um sorriso ou um simples “hight five”. Quem está a correr vibra e quem, como eu, está a dar este apoio sente-se de coração cheio e foi isso que eu e o João fizemos até à meta. 

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Parabéns a todos os que desfrutaram desta prova. Estava um dia lindo em Sevilha, que é uma cidade encantadora. Sei que nunca mais vou ter um longo tão emotivo como este. Pode ser igual, mas nunca melhor. 

A grupeta da New Balance

Foi a melhor surpresa deste fim de semana. Sabem, pessoal, correr maratonas também é muito isto, este convívio e ter oportunidade de conhecer tanta gente nova e criar laços que vão ficar para sempre no meu coração. 

Neste fim de semana tive a oportunidade de estar com o grupo da New Balance de Portugal mas também com o de Espanha e foi absolutamente maravilhoso todo o convívio que se gerou neste fim de semana. Desde sexta até domingo vivemos experiências únicas para la da prova. 

O Ricardo e o João são os meus companheiros de sempre e amamos correr maratonas. Vibramos muito juntos e já nos conhecemos bem mas, neste fim de semana, tivemos oportunidade de estar com tantos outros amantes da vida saudável.

Eu já conhecia a Mariana, a Miss Fit — podem seguir o Instagram dela aqui — e o Pedro, o namorado dela e são mesmo um casal boa onda. A Catarina Gouveia é linda, por dentro e por fora e é cá das minhas. Sabe bem que a felicidade se cultiva com respeito pela saúde. Quem ainda não conhecia era a Francisca e o Ricardo Pereira. Um casal com a loucura mais saudável que já conheci, bem dispostos, de riso fácil e sentido de humor apurado que veio a Sevilha correr os 12 quilómetros com o grupo de Espanha da New Balance. 

E porque é que este fim de semana foi tão especial? Porque houve muito tempo para convívio. Chegámos na sexta-feira e a prova foi só no domingo de manhã, por isso ainda partilhámos várias refeições juntos já para não falar dos momentos que passámos na Feira de Sevilha, no momento em que levantámos os nossos dorsais e fazer a corrida de ativação de 30 minutos, que é assim como que uma forma de mentalizarmos o nosso corpo para a prova do dia seguinte. 

Nesse dia, ainda tive oportunidade de fazer um teste com a equipa da New Balance que estava na Feira e que me confirmaram, tal como já suspeitava, que tenho alguma pronação na minha passada e que sou uma corredora pronadora. Ou seja, o esforço que faço quando corro fica sempre na parte interna da frente do pé. 

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Sabem, malta, este grupo fez-me perceber, mais uma vez, que apesar de alguns correrem 42, outros correrem 35 e outros ficarem-se apenas pelos 12 quilómetros, o que importa é que todos temos algo que nos une: a paixão pelo desporto, pelas corridas e pela vida saudável. A felicidade está mesmo nos pequenos prazeres da vida, entendem?

No almoço depois da prova, em que comemos uma paelha incríBel, disse-me a Francisca: “Sabes Isabel, eu por norma corro, no Brasil, entre 7 a 9  quilómetros duas vezes por semana. As minhas amigas não correm 500 metros. Quando lhes disse que ia a Sevilha correr 12 quilómetros, elas não queriam acreditar. Admiram-me, mas dizem que sou doida. Eu vim. Corri e consegui correr os 12. Para mim foi uma grande conquista.” No final ainda me disse que ficou “contagiada com o vosso entusiasmo numa distância tão longa. Um dia, se o Ricardo alinhar, corremos juntos uma meia”.

É por tudo isto, por esta energia contagiante, que só tenho a agradecer ao universo. Só quero continuar a ter saúde para continuar a contar estas histórias e a correr todas estas provas que me fazem tão feliz.

Agora, Londres, estou no caminho!

AGRADECIMENTOS

New Balance

Sara Cardoso (Fotografias)

Espreitem este look e percebam porque é que adoro usar cores claras durante o inverno

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Tenho a playlist perfeita para correr porque é a música que desperta o melhor que há em mim

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