sidemenu-retrato-IAIS.png

Malta!

Bem-vindos ao I am Isabel Silva. Escrevo sobre a minha vida, os meus alimentos, as minhas corridas, o meu Caju. Espero que desfrutem.

Não foi um dia perfeito, mas esteve perto disso

Não foi um dia perfeito, mas esteve perto disso

Era véspera de um momento importante para mim. Pedi ao Samuel e à Ana para dormirem na minha casa, porque às 5 da manhã começava a aventura. Não correu tudo bem, mas valeu cada minuto. Saibam tudo sobre o meu último longo antes da Maratona de Londres.

Sábado, 23 de março, 7h30 da manhã. Estava tudo pronto para começar o meu treino longo. Tinha 32 quilómetros pela frente. O João Catalão estava ao meu lado e ia ser, mais uma vez, o meu parceiro nesta aventura. Partimos do Café In, em Belém, em direção à Fortaleza do Guincho e com objetivos muito bem delineados.

E com isto vocês pensam que é só enfiar as sapatilhas e começar a correr, mas, malta, um treino longo é bem mais do que isso, acreditem. Foi por isso que quis filmar este vídeo e, por isso, pedi ao Samuel e à Ana que estivessem connosco tanto neste dia como na véspera, para que vocês possam perceber como tudo aconteceu, desde o primeiro momento.




A véspera do treino

Já há alguns dias que andava a sentir as pernas ligeiramente mais pesadas do que o normal. Não estava a perceber bem o que se passava e falei do assunto a várias pessoas e todas pensaram no mesmo: retenção de líquidos. Sabem aquela fase antes do período, a chamada TPM, em que começam a sentir-se mais inchadas e com umas sensações um bocado estranha no corpo? Era assim que eu estava. A própria Ana, que veio ter comigo mais cedo, olhou para as minhas pernas e perguntou “Belinha, mas que trambolhos são esses?”

A questão aqui é que, na verdade, não estava com a menstruação, e comecei a pensar que isto poderia ser outro problema qualquer. Nessa noite, antes de jantar, calcei as minhas meias de descanso a ver se ficava melhor. Mas eu tenho um problema pessoal, é que fico a remoer estes assuntos e até cheguei a dizer à minha grupeta que sabia que estava a falar demasiado nisto, mas estava mesmo preocupada, ainda por cima quando já tinha uma estratégia bem definida para o treino.

Bem, mas antes de vos contar como é que correu o meu treino, tenho de partilhar como foi a noite anterior. É que, como vos disse, tudo isto passa por muita estratégia e planeamento. Já tinha falado com o João e decidimos que, desta vez, íamos fazer um treino sem retorno, ou seja, partíamos num sítio e acabávamos noutro. Mas tudo isto envolve logística, claro, e aqui, como podem ver no vídeo que gravámos nessa noite, foi preciso estudar tudo muito bem.

Metemo-nos no carro e, depois de jantarmos no Alecrim aos Molhos, fomos meter águas em quatro pontos estratégicos: no Passeio Marítimo de Algés (onde fazem o NOS Alive), em Carcavelos, ali no estacionamento da Praia do Moinho, e depois da Casa da Guia.

Isto foi também uma forma de a Ana e o Samuel perceberem o nosso percurso e saberem onde é que deviam estar à nossa espera, porque a ideia era mesmo essa, eles estarem sempre por lá para nos darem águas. No entanto, se alguma coisa falhasse, as águas já lá estavam à nossa espera.

Depois, foi hora de voltar a casa, fazer o meu saco com a muda de roupa, a minha toalha (para depois do mergulho no mar, já lá vamos), a minha proteína, os meus géis e todas as outras coisas que vos mostro no vídeo.

Tudo pronto, estava na hora de dormir. Com tudo isto, acabei por me deitar um pouco mais tarde, o que não devia acontecer, mas nos dias antes consegui dormir as horas necessárias. Às vezes, no meu caso, sinto que dormir bem no dia anterior é importante e foi o que aconteceu.




A manhã do treino

Acordámos eram 5h10, porque, como o treino começava às 7h30, tinha de garantir que tomava o pequeno-almoço duas horas antes. Assim, sabia que tinha tempo para ir, pelo menos, duas vezes à casa de banho, porque eu gosto de correr cheia de power, mas com a tripa limpinha.

Tomei um dos meus pequenos-almoços vencedores, como este que partilhei aqui no blog há tempos, e que também podem ver no vídeo abaixo. E como estas coisas nunca correm como queremos, tive um problema de última hora. É que na noite anterior tinha comprado bebida vegetal para fazer estas papas de arroz integral, mas deixei-a no carro do João. Tive de fazer tudo com água, mas ficou ótimo à mesma.

Depois, lá fui passear o Caju e beber o meu cafézinho, que é um ritual que cumpro sempre antes do treino, até mesmo antes de me encontrar com os meus IncríBeis. Café tomado, Caju passeado, estava na hora de rumar a Belém, e assim foi.

Assim que chegámos, comecei a notar que estava com vontade de ir à casa de banho, usando uma expressão lá do Norte, mudar a água às azeitonas. Não fui, embora tivéssemos parado uns minutos antes para ir, mas achava que conseguia aguentar o treino todo. Má ideia, Isabel Silva. Mas é assim que se aprende, não é verdade?

Parámos ao pé do Café In, equipei-me, calcei as minhas sapatilhas, amarrei o cabelo, sem esquecer da colocar vaselina na zona da axila, no peito e na virilha, para não assar. Começámos o aquecimento e, às 7h30, partimos junto ao rio. Eram 32 quilómetros, e estava tudo muito bem estudado na minha mente.




O treino

Como já vos disse, sentia as pernas um bocado pesadas e isso estava-me a preocupar, principalmente porque tinha a estratégia bem delineada. Queria ir a 4”45 nos primeiros 25 quilómetros e, a partir daí, fazer slipt negativo e it baixando gradualmente para os 4”30, 4”20, até aos 4”15.

Claro que isto me estava a stressar, mas se há coisa que aprendi enquanto corredora e maratonista, nas 6 maratonas que já corri, é que tenho de escutar o meu corpo. Uma coisa é saber que algo é psicológico, outra totalmente diferente é o corpo pedir-me para abrandar.

Neste dia, estava na dúvida, por isso achei melhor começar com uma cadência mais lenta, para ver como o corpo reagia. Se estivesse tudo bem, fazia aquilo que estava no meu plano. Caso contrário, tinha de mudar de estratégia. Estão a ver, malta? É preciso muito foco e força nessa hora.

Quando comecei a correr decidi também que não ia olhar para o relógio. Cada vez mais percebo que ir controlando tudo me desconcentra e, por consequência, a forma como corro. Percorri os primeiros dois quilómetros sem olhar, só mesmo a escutar o corpo, e a verdade é que, quando olhei, já perto do 3.º quilómetro, estava a 4”45, dentro do tempo que tinha estabelecido.

Aí deu-se o click. Isto é tudo psicológico. Estava a sentir-me bem, confortável, apesar das pernas inchadas, e estava ao ritmo que tinha de estar. Então, continuei com o meu plano, e lá fui, sempre super focada.

Claro que, nestas coisas, há sempre uma aventura. Lembram-se de ter dito que devia ter ido à casa de banho? Pois que, chegando à Praia do Moinho, ali em Carcavelos, tive de parar para ir fazer o meu xixi. Mas levei isto com muita calma e tranquilidade. Nada de stresse, cheguei, fui à casa de banho, ainda bebi água e continuei o meu caminho. Uma das coisas que me lembrei foi que, quando acordei, tinha bebido dois copos de água. Se calhar o melhor é começar a beber só um, para não ter estes deslizes. Estamos sempre a aprender.

O treino correu lindamente, passei por dois momentos mais desafiantes, o primeiro ali na zona da Baía de Cascais, onde há uma subida, e depois outra na Boca do Inferno. Mais uma vez, senti-me bem, e o importante nestes casos é não tentar acelerar, manter sempre o ritmo e respeitar o corpo.

Uma das coisas boas foi saber que em certos quilómetros tinha o Samuel e a Ana à minha espera, o que foi um grande incentivo para mim. Também tenho de agradecer a todos os ciclistas que passavam por mim, já me vão conhecendo dos treinos naquela zona e davam sempre uma força. Às vezes até me dizem, a brincar: “Isso está muito lento, Belinha”, como que a dar-me um boost de energia. É bom saber que se forma esta espécie de família e que, apesar de não praticarmos todos os mesmos desportos, temos em comum a energia que o treino na natureza nos dá.

Quando terminei, e podem ver esse momento no vídeo, sentia-me tão bem que achava que podia correr mais dois ou três quilómetros aquele ritmo. Nesta fase da preparação para a Maratona de Londres, que está quase aí, isto é ótimo para mim.

Depois do treino

Assim que cheguei, quis logo ir dar o meu mergulho no mar. Fomos até ao carro, rumámos a uma praia ali perto e entrei na água, sozinha, porque o João ia fazer uma massagem desportiva a seguir.

Desta vez demorei mais uns minutos e até cheguei a dizer ao Samuel que estava a entrar à patinho, mas foi ótimo para regenerar as minhas pernas, que tanto precisavam. E sabem que mais, malta? Não há nada melhor nesta vida do que acabar um treino, mergulhar no mar, alongar e sentar-me na areia a falar com o meu parceiro de corridas sobre tudo o que este treino significou para mim.

unnamed-3.jpg
db1a249a-8971-48e6-9279-da0de99b3f86.jpg

Falámos sobre o que correu bem, o que temos de melhorar, o que não podemos repetir e, no final, agradecer ao universo por este dia lindo, praticamente sem vento — coisa rara ali na zona do Guincho —e por me sentir saudável e com saúde.

No final de contas, e apesar de ter estado tão preocupada, estou muito feliz com este treino. Obrigada ao Samuel e à Ana por terem estado connosco neste momento. Obrigada ao João Catalão, meu parceiro nesta aventura e, acima de tudo, obrigada ao Universo, por me dar oportunidades tão únicas e especiais como esta e me dar saúde para continuar a partilhar com o mundo esta loucura saudável que sinto, que me alimenta e me faz querer continuar a viver feliz até ser bem velhinha.


IMAGEM E EDIÇÃO

Samuel Costa

Querem saber em que dia abre o meu EFIT? Conto-vos tudo neste vídeo

Querem saber em que dia abre o meu EFIT? Conto-vos tudo neste vídeo

Sim, eu uso este meu top de corrida quando saio à noite

Sim, eu uso este meu top de corrida quando saio à noite