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Malta!

Bem-vindos ao I am Isabel Silva. Escrevo sobre a minha vida, os meus alimentos, as minhas corridas, o meu Caju. Espero que desfrutem.

Há momentos da vida em que temos de escolher entre a paixão e o amor. Eu escolhi outra coisa

Há momentos da vida em que temos de escolher entre a paixão e o amor. Eu escolhi outra coisa

Se não tiveram oportunidade de estar no “Conta-me Tudo” hoje venho aqui partilhar este momento onde houve amor, cocó e uma maratona.

Lembram-se de como há uns dias vos contei que ia partilhar uma das minhas histórias de amor mais intensas e mais íntimas durante o “Conta-me Tudo”? Desde que partilhei esse artigo aqui no blog recebi imensas mensagens de pessoas que queriam saber que história era esta. 

Quem esteve nos espetáculos do Porto e de Lisboa já sabe como é que tudo aconteceu e porque é que esta história me marcou tanto. Mas, para quem não foi, hoje venho aqui contar a minha história de amor que envolve uma maratona, cocó e um pito. Ora espreitem lá. 

“Maratona de Sevilha, 2017. A prova começava às 8h30 e cinco minutos antes lá estava eu, na minha box, prestes a partir. Esta maratona, como todas as outras que corri até hoje, era muito importante para mim. Tinha passado três meses a preparar-me e investido todo o meu tempo e força de vontade porque tinha um objetivo: bater o meu record pessoal de fazer a prova abaixo das 3h10. 

Como sempre, cumpri à risca o meu ritual antes da prova. Jantei cedinho, tomei o meu pequeno-almoço duas horas antes da prova e, como sempre, fui à casa de banho três vezes nessa manhã, antes de começar a correr, para não correr o risco de ter um acidente a meio da prova. Se vocês não correm, podem não saber isto, mas durante uma maratona o nosso corpo e, principalmente, o intestino, relaxa muito, por isso o ideal é partir já com a tripa bem limpa para não haver problemas.

Estava prestes a arrancar, cabeça pronta, corpo pronto, adrenalina ao rubro, quando acontece o meu pior pesadelo. Dá-me uma grande volta à tripa. Olhei para o Rui Geraldes, que é um grande amigo meu, e que estava a preparar-se para partir ao meu lado, e disse-lhe o que estava a sentir. “Oh Belinha, isso é tudo psicológico”, disse-me ele. Eu não sei como é com vocês, malta, mas eu nunca fiz um cocó psicológico. 

Naquele momento tive de tomar uma decisão. Ou perdia os meses de treino ou arriscava tudo e corria a maratona inteira, aqueles 42.195 metros, com aquela aflição que temos nos últimos momentos antes de se acender a luz da casa de banho, sabem? O que é que eu fiz? Comecei a correr. 

Estava longe de imaginar que, entre o quilómetro 20 e 21, era o amor que me ia salvar. 

Comecei a prova muito aflita, claro, mas tinha um plano. Sabia que ali ao bater o quilómetro 10 havia uma zona de abastecimento com casas de banho. Bem, na verdade, aquilo nem se pode chamar bem casa de banho. São daquelas cabines dos festivais que estão todo o dia ao sol. Assim que lá cheguei estava decidida a não perder mais do que dois minutos no processo. Consegui despachar tudo muito rapidamente, é certo, mas de repente olho para o lado e percebo que tenho outro problema: não há papel higiénico. 

Qual MacGyver do cocó, tive de improvisar. Levava vários géis hidratantes na minha banda e foi isso mesmo que usei. Tinha um pacote de lenços ao lado e pensei “era melhor se estivesse cheio, mas também me safo disto com o plástico”. Tudo isto numa questão de segundos. Despacho o serviço, puxo as calças para cima e saio daquele cubículo a correr. Mas vocês querem acreditar que a minha tripa continuava a doer?

Tudo mudou ao quilómetro 20. Foi nesse momento que avistei um rapaz. Não, esperem. Ele não era só um rapaz. Era um pito, e eu percebi isto mesmo só conseguindo vê-lo de costas, com uma passada incrível e um rabo que mais pareciam duas ervilhas e um porte atlético perfeito. Como que por milagre, a minha tripa parecia ter ficado curada. 

Comecei a segui-lo durante alguns quilómetros e reparei que ele vinha com um amigo que, de repente, começou a fraquejar. Foi nesse momento, em que o amigo desiste totalmente da prova, que percebi que este meu Adónis maratonista era lindo de frente — porque até então só o tinha visto de costas — mas que também era boa pessoa porque, assim que o amigo parou, foi atrás dele para ver se precisava de ajuda. 

O rapaz lá disse que estava bem e incentivou-o a continuar e foi aí que começamos a partilhar quilómetros juntos. Conseguíamos ver-nos pela visão periférica e comecei a sentir que havia ali uma química muito forte entre nós. No meio de tudo isto, a minha tripa deve ter-se apaixonado por ele, porque deixou de dar sinais de si. De repente, este meu amor platónico começa a acusar algum cansaço e tive de o deixar para trás. Por muito que me tivesse enamorado por aquela pessoa, não ia perder o foco e falhar o meu objetivo. Tive de o deixar para trás, embora no momento tenha ficado um bocadinho triste. 

Assim que deixei de o ver, a tripa voltou ao ataque. Tive uma dor de burro tão forte que comecei a correr toda curvada, mas nunca desisti. Estava prestes a chegar ao final e continuava com a tripa às voltas, mas quando cheguei ao final da corrida, completamente convencida que tinha feito um tempo horrível, vejo que acabei a prova com 3h13, com mais três minutos do que o meu objetivo e com o cocó a querer dar o ar da sua graça a qualquer momento. 

Fiquei tão emocionada com tudo isto que quando cortei a meta desatei num pranto agarrada aos meus amigos. De repente, sinto uma mão no ombro e quando me virei lá estava ele. O Adónis das corridas, o rapaz com quem me tinha cruzado. Naquele momento isto não foi muito claro para mim, porque estava demasiado emocionada, mas era óbvio que ele tinha sentido aquela química comigo, o sentimento era mútuo e ele estava a tentar meter conversa. 

Então o que é que eu fiz, no meio de toda aquela azáfama e emoção? Estava tão ocupada a chorar e a contar toda a experiência aos meus amigos que ignorei completamente o rapaz, que acabou por se ir embora. Não lhe pedi o nome. Fiquei sem saber de onde era e nem sequer apontei o número do dorsal dele, que talvez fosse a única forma de chegar até ele. Nada. Zero. 

Na altura, claro, não pensei nisso, mas depois acabei por ficar um bocadinho triste. Fiquei muito tempo a pensar naquela pessoa até que me lembrei, “e se fizer um post no blog a contar esta história? Vai na volta, alguém o conhece! Ele até pode ter ficado com o número do meu dorsal e vai-me reconhecer!”. 

Graças a isto percebi também que tinha uma grande vantagem em ser figura pública e ter tantos seguidores. O post que partilhei no blog — recordem-no aqui — tive imensas visualizações, muitas partilhas nas redes sociais e a história de amor com cocó da Isabel Silva tornou-se conhecida. 

E saibam o que é que aconteceu depois de ter escrito este post? 

Nada. Absolutamente nada. 

Nunca cheguei a encontrar este rapaz. Já passaram dois anos e vou voltar este fim de semana à Maratona de Sevilha, não com o intuito de competir, mas para fazer um treino longo em preparação para a Maratona de Londres de abril. Quem sabe se não nos voltamos a encontrar. 

Por outro lado, aquele homem incríBel foi muito importante para mim. Foi ele que me ajudou a acabar esta maratona. Se não tivesse corrido ao lado dele, tenho a certeza que a minha tripa não se tinha curado. E, vamos ser sinceros, pessoal, um homem quem nos faz esquecer a tripa? Se isso não é amor, não sei o que é.”

A experiência em Lisboa e no Porto

Quando aceitei este desafio para estar em palco a contar esta minha história, tão pessoa e íntima, sabia perfeitamente que tinha de a trabalhar de maneira a que ela se tornasse interessante ao ponto de ser contada num palco para muitas pessoas. Foi uma responsabilidade muito grande. 

Confesso que nem senti tanto nervosismo, mas sim alguma ansiedade. Principalmente naquele minuto (ou terão sido alguns segundos?) antes de atuar. Mas foi muito importante ter a ajuda do João Dinis, do Pedro Górgia e do David Cristina, que têm uma experiência tão grande nesta arte que é o storytelling e me deram dicas preciosas que fizeram toda a diferença para tornar esta história tão engraçada. 

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A experiência, tanto no Porto como em Lisboa, foi incríBel. Não só porque contei uma história mas porque foi graças a estes dois momentos que percebi que, mais do que o conteúdo de uma história, importa a forma como ela é contada. A primeira vez que o fiz foi no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, e correu muito bem. Em Lisboa foi ainda melhor, tudo porque tive a possibilidade de afinar esta história e a contar ainda melhor. 

Na verdade, ambas as atuações foram muito especiais para mim, até porque estas são as duas cidades que trago no coração onde me sinto realmente em casa. Tenho mesmo muita sorte em poder dizer isto. 

Contar esta história em palco provocou muitas gargalhadas às pessoas, mas não deixa de ser verdade que um dos meus maiores medos quando corro uma maratona é ter um aperto na tripa durante a prova. Tanto que, como já vos contei em vários artigos aqui no blog — podem ver aqui algumas das minhas experiências em corridas — um dos cuidados que tenho durante a preparação para as provas é com a minha alimentação. 

Isto para vos dizer que, apesar de ter falado de uma pequena história de amor que aconteceu enquanto corria, o mais importante para mim foi partilhar convosco uma bonita história de amor. Não por uma pessoa, mas sim o que tenho pela corrida e o prazer que me dá correr uma maratona. É que é um amor de tal forma grande que, no final desta prova em Sevilha, quando o rapaz veio ter comigo, estava mais preocupada em partilhar o meu feito com amigos do que em falar com ele.

Por outro lado, estar em palco também foi incríBel. Deram-me apenas entre 12 a 15 minutos para contar a minha história, mas acabei por demorar 20. E sabem que mais? Não há nada melhor do que acabar de contar uma história e ter tanta gente à vossa gente a aplaudir. É uma sensação tão boa que por momentos até fiquei triste por não poder voltar e começar a contar outra coisa. 

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Cada vez acredito mais que a vida se faz de partilhas e, para mim, foi muito especial ter tido oportunidade de partilhar este momento tão íntimo da minha vida que foi ali também para me ver. Além disso, foi ótimo ter oportunidade de trabalhar com o Alvim, com o Pedro Górgia e com o David Cristina, que são excelentes profissionais.

Quando criaram o “Conta-me Tudo”, estas pessoas vieram provar aquilo em que acredito há muito tempo. Para mim, a vida começa quando saímos da nossa zona de conforto e, nestes dois dias, tive de contar uma história de forma diferente, com uma postura diferente. Sinto que cresci nestes dois dias, sabem? E é uma experiência a repetir. 

Outra das coisas que me deixou muito feliz foi ter tido a oportunidade de conhecer pessoas novas e consolidar amizades que já tinha. Foi graças ao “Conta-me Tudo” que conheci a Sara Tavares, que é a luz em pessoa, e o Daniel Carapeto, uma das pessoas mais engraçadas que conheci até hoje. Além disso, tive a possibilidade de estar novamente com o Rui Paula, o Ângelo Rodrigues e a Alexandra Lencastre, que já conhecia e de quem gosto muito. 

Além de agradecer esta oportunidade ao David, ao Pedro e ao João, tenho de mencionar também a incríBel banda que nos acompanhou durante estes dois dias e que criaram músicas mesmo à medida das nossas histórias.

Esta é uma experiência a repetir, sem dúvida. Quem sabe, numa das próximas sessões do “Conta-me Tudo” na Fábrica do Braço de Prata. A próxima deve acontecer em meados de abril, mas podem ir espreitando aqui a página de Facebook e aqui a de Instagram, para saberem quando é que acontece a próxima tertúlia.

FOTOGRAFIA

Ana Marta

Paulo Rascão

Tenho a playlist perfeita para correr porque é a música que desperta o melhor que há em mim

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Não precisam de ir jantar fora no Dia dos Namorados. Surpreendam com esta IncríBel sobremesa.

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