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Malta!

Bem-vindos ao I am Isabel Silva. Escrevo sobre a minha vida, os meus alimentos, as minhas corridas, o meu Caju. Espero que desfrutem.

A minha paixão nos Santos. “Eu sabia que tinha de beijar aquele rapaz na boca”

A minha paixão nos Santos. “Eu sabia que tinha de beijar aquele rapaz na boca”

Tudo pode acontecer numa noite de Santos Populares. Desde conhecer o amor da nossa vida a ter um flirt. E todos temos uma história gira. Esta é a minha.

Desde que vim estudar para Lisboa, aos 18 anos, que vou aos arraiais dos Santos Populares. Não me consigo lembrar de um ano em que não tenha ido, e a verdade é que há sempre histórias para contar. 

Os arraiais são inesquecíveis, e não é só por causa das sardinhas e dos bailaricos. Para mim, os Santos valem pelas aventuras, pelas pessoas que conheço e pelos amores que vou vivendo. Portanto, e em altura de arraiais, mais do que vos dizer onde gosto de comer sardinhas, beber umas jolas e rasgar a pista no bailarico, vou partilhar convosco algumas das memórias mais incríBeis que já vivi em arraiais. 

Quem é que nunca teve uma aventura amorosa, um flirt, não encontrou o homem (ou mulher) da sua vida ou conheceu pessoas e criou memórias que ficaram para sempre num arraial? Comigo já aconteceu. E foi mais ou menos assim… 

Naquele ano, passei os Santos no Bairro Alto. Devia ter 19 ou 20 anos, e na altura ia muitas vezes com amigas beber uma ginginha ao senhor Jaime, ali na rua da Diesel. Naquela noite de Santos não foi diferente. Quando chegámos à ginginha, dei de caras com uma pessoa que mexeu comigo. Tinha olhos azuis, uns lábios carnudos e era bem mais alto do que eu — eu gosto de homens altos, para pequenina já basto eu. Ele estava sentado a um canto, a beber uma cerveja. Assim que olhei para ele, percebi logo que aquela pessoa ia ser especial.

Não me lembro muito bem de como começámos a conversar, mas como aquele espaço é tão pequeno as pessoas acabam todas por se ir conhecendo umas às outras. A conversa deve ter começado porque eu estava a beber uma ginginha e ele uma cerveja, até que, de repente, ele me convidou a ir lá fora acompanhá-lo enquanto fumava. “Porque não?”, pensei na altura, e assim foi. Estivemos imenso tempo a conversar e a verdade é que ele ia mandando uma ou outro tacada, que eu fingia não perceber — aos 20 não tinha a maturidade que tenho agora, o que seria se fosse hoje. Ele até conseguia ser subtil, deixava uns elogios, e eu até gosto de pessoas assim, mais subtis, e com pinta. Provavelmente não era verdade, mas eu sentia que aquele flirt era especial, era para mim, não era coisa que ele fizesse com qualquer uma. 

Estamos a falar de um rapaz giro nas horas, a olhar para mim e a elogiar-me com uma voz radiofónica. Estava a gostar da conversa, mas quando é que se du o clique? Entre ginginhas? Entre cervejas? Depois de horas de conversa? Nada disso. Foi no momento em que ele me fez a pergunta mais banal de sempre:

— Em que dia fazes anos?
— 8 de maio, signo Touro.
— Eu não acredito.
— Então?
— A sério que fazes anos a 8 de maio? A que horas é que nasceste? 
— Uma menos um quarto da tarde.
— Não vais acreditar. Sabes em que dia faço anos?
— Não.
— No mesmo dia que tu, 8 de maio.

Eh pá. Sou uma pessoa muito ligada a energias, e, naquele momento, senti que alguém me estava a dizer que, naquela noite, aquele rapaz tinha de ser meu. A conversa estava boa, ele era giro, havia uma empatia gigante, fazia anos no mesmo dia que eu. Tinha de ser. 

“Eu vou ter de beijar este rapaz na boca” foi o que me veio à cabeça. Mas só por aí, atenção, que se for para outros desenvolvimentos já preciso de outro andamento, e eu sou uma pessoa que vai com calma. Mas que tinha uma vontade enorme de lhe dar um beijo na boca, isso tinha. 

O meu pensamento naquele momento foi: “Se isto for especial, vai acontecer. Se não for hoje, será noutro dia”. Sei que na altura tinha de ir para outro sítio por algum motivo e a coisa acabou por não se dar, mas ficou a vontade de dar um beijo àquele rapaz. E acreditem que um beijo já é bastante intenso. O que é que fizemos? Trocámos números de telefone e cada um um seguiu o seu caminho. Se fosse para a coisa se dar, ele daria sinais no dia seguinte. Ainda fiquei a pensar nisso, mas segui o meu caminho. 

E não é que no dia seguinte lá tinha uma mensagem? Não me consigo lembrar do que dizia, mas lembro-me de que voltámos a estar juntos e aí sim, houve muitos beijos na boca, e foi incríBel, por ser neste contexto de arraial, já em noites seguintes, na zona da Costa do Castelo, onde ninguém consegue dançar, só com os olhos. Era música popular, ele a dizer que eu era linda, copos de vinho do Porto, ginginhas e cervejas e uma memória que nunca vou esquecer. Quem nunca teve uma experiência deste género?

E depois de tudo isto, de dançar toda a noite até ver o dia nascer, o que é que aconteceu? Fomos até à Merendeira, em Santos, mandar abaixo um belo de um caldo verde. Claro que depois fui para casa feliz e contente, mas a verdade é que depois acabei por perceber que estávamos em momentos diferentes das nossas vidas. Ele era mais velho, uns cinco ou seis anos, e apesar de ser uma pessoa interessante, os timings não encaixavam. 

Mas não deixa de ser uma boa memória e um momento mágico que teve um significado especial, muito por ser naquele contexto de arraial e de Santos Populares. É ali, no meio de toda aquela azáfama, com o cheiro a cerveja, a sardinha e a bifana que se agarram à roupa e não passam nem por nada, que se criam as melhores recordações. 

Tudo isto para vos dizer o seguinte: é nos arraiais que se criam memórias para a vida, que conhecemos pessoas incríBeis e passamos por momentos espetaculares que, por serem tão intensos, nunca esquecemos. Por isso, nesta noite de Santos, não fiquem em casa. Aproveitem a vida, porque Lisboa é linda, e a noite da véspera de Santo António tem muito para dar.

A verdade é esta, eu tenho mais histórias do género para contar, mas em contexto de Arraial, só esta me vem à memória. Mas uma coisa é certa, nem só nos Arraiais se vivem histórias giras como esta. Se quiserem que partilhe mais algumas, deixem aqui um comentário.

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