Correr uma MARATONA no Porto é outro andamento!! 

 

EMOÇÃO é o que me move. Quando sentes MUITA EMOÇÃO o desafio torna-se ENORME!

Verdade! Qual vento, qual empedrado, qual cansaço fruto dos 42.195m... Desafiante foi gerir o meu entusiasmo, a minha alegria, a minha excitação e a minha ansiedade boa! E não estou a falar do sentimento que é esperado que qualquer atleta sinta antes da prova. Eu estou a falar, concretamente, deste meu estado de adrenalina que nasce única e exclusivamente por sentir o vosso apoio, durante cada KM!!

No terceiro andar de um prédio perto da alfândega do Porto: "Bélinha!! És IncríBel" (eu ia no foco neste km 16. Mas como não acrescentar – "com B"?! É aquela expressão que já não vem sozinha sem este pormenor); Depois: "Olha que eu vou acertar no teu tempo. Vou ganhar umas sapatilhas da ASICS!"; "Aperta com eles, Mulher do Norte"; "Vai na Bulina"; "Bélinha Força! Bélinhaaaaaa! Eu não aguento"... Entre tantas outras IncríBeis expressões tão minhas, mas ao mesmo tempo tão NOSSAS que por vários momentos, eu só queria chorar!! E chorei! Olha logo nos primeiros Km's, logo ali na zona de Matosinhos! Já partilhei e reforço o meu gosto pela lágrima no canto do olho, mas na verdade, a correr não dá muito jeito. É que descontrolo a respiração e sinto muita palpitação neste coração. Tive mesmo de me focar. E precisei de muita concentração durante toda a prova. Vocês partem-me o coração!! Foi muito mais difícil correr assim. Mas obrigada!!! É por estas e por outras que a pessoa "rasga o pano" nos últimos 10Km. Mesmo com o "bento" em "mobimento", a calçada armada ao pingarelho e uma dor de burro no km 40 (é a tal "cena" da emoção que descontrola a respiração). E ainda assim, nada disso me impediu de terminar em Split Negativo. "Vai Isabel! Peito orgulhoso, enfia-te na bolha, falta uma série de 2000 e já está". Penso sempre assim na reta final. Ajuda-me a não quebrar! Em vez de pensar no fim, porque no meu caso, só me gera ansiedade e como consequência, "dor de burro", tento desfocar-me da Maratona. Ao invés, penso num "desses" treinos de séries que tantas vezes fiz durante os 3 meses de preparação para a prova. Isso!! Não me esqueço nunca! Para curtires uma Maratona e terminares "em Bom", tens de treinar. Correr a EDP Maratona do Porto 2017 não começou no dia 5 de Novembro as 9h00. Começou no final de Agosto... E nunca termina. Porque essa emoção é vivida e fica guardada para sempre. Aqui. No meu coração.

Se me perguntassem em Janeiro deste ano se ia correr a Maratona do Porto, eu dizia que não. Sabia que um dia voltava a repetir, mas não estava nos meus planos. Até que a EDP decidiu desafiar-me para correr, pela segunda vez, na cidade do Porto! E a verdade é esta: eu gosto de voltar aos sítios onde sei que já fui e vou ser sempre feliz. Aceitei. Mas há aqui um compromisso. Correr com amor e nunca sozinha!

 
 

#EQUIPADOBEMBYEDP

 
 

Venha daí a minha #equipadobembyEdp!!!! 

A todos os inscritos na minha equipa, peço-vos que me enviem fotografias para o ola@iamisabelsilva.com para poder partilhar aqui, no meu BLOG, sim?! Não consegui reunir-me com todos. Bem sei que no dia a ansiedade é tanta e são tantas as preocupações que se torna difícil estarmos todos juntos antes da partida. Da mesma forma que também sei que todos temos os nossos ritmos e encontrar-vos no final também seria um desafio. No entanto, o Tiago ainda me acompanhou durante alguns quilómetros e no final ainda tiramos uma fotografia. Também abracei a Ana Amorim! Fez anos nesse dia!! Gabo esse teu belo dia de anos – corres uma Maratona e terminas a sorrir!! És IncríBel!!!

Então e o resto da grupeta?? Fiquei mega desconsolada por não termos tirado uma fotografia com o grupo!! Mas acreditem: pensei em todos, ao longo do meu percurso!! Assim como pensei em todos os meus amigos que nesse fim de semana correram a Maratona do Porto!

Inicialmente ia eu e o João Catalão. Depois juntou-se o João Tiago (e esta Maratona também foi especial para mim por ser a primeira dele). O Arrumadinho, que até aos 50 anos diz que vai "arrumar" para canto 50 maratonas, também alinhou. De repente, o Rui Geraldes, Rui Catalão, Luís, Filomena, Fernando, Catarina dizem: "Podemos não correr a Maratona, mas fazemos os nossos Km's e também contamos a tua história" Isso... E é por isto que eu amo correr.

10 atletas invadiram a casa dos pais da Bélinha!!!!!!

A minha mãe já não se lembrava de ver a casa com tanta gente. Foi uma alegria imensa. Para todos. Mas para mim e para a minha família em especial. Eu já não vivo em Santa Maria de Lamas. Vivo em Lisboa desde os 18 anos. Tenho 31. E tenho sempre muitas saudades. E quando eles estão perto de mim, por vezes, tenho ainda mais saudades. Foi a vida que escolhi, bem sei. E estou feliz. Mas quando estás perto, percebes que é difícil estar sempre longe. Depois deste pequeno, grande pormenor, tenho a dizer-vos...

Foi o real aparato! De sexta a segunda, não nos largamos – comemos, passeamos, rimos, dormimos, comemos, partilhamos experiências, vimos filmes, comemos, cozinhamos, corremos, comemos de novo... E ficámos ainda mais família!!! Há coisas que eu só sinto com aqueles que correm comigo. E é algo diferente de todas as outras relações que eu tenho. Todas são especiais, atenção!! Mas a ligação que tu crias com aqueles que correm ao teu lado é algo único. Tenho sempre a certeza que são amizades para a vida. 

E é por não conseguir explicar com palavras que registei, o meu fim de semana, em vídeo, para vocês assistirem, sentadinhos no vosso sofá, como se estivessem na antestreia de um filme digno de um Óscar!! Ah pois!!! Dei o meu melhor. O Samuel está a editar tudo com muito amor e carinho. Para a semana espero ter tudo pronto. Só para ti! Ai Ai Aiiiiiii!!!!! Um Vídeo Top Mundial vem a caminho!!! Aguenta coração!!!!! Eheheheheheh


5 de Novembro de 2017. 9h00. Vou correr a minha 4ª Maratona.

Ainda só corri 4. E todas são tão diferentes... Hoje sinto que sou uma atleta mais experiente, consciente e conhecedora do meu corpo e dos meus limites, mas sempre com a certeza que ainda tenho tanto para aprender. E ainda bem. O meu maior desafio foi, sem dúvida, manter a concentração, o foco no ritmo. Gosto tanto de correr que, muitas das vezes, deixo-me levar pelas minhas emoções e dou por mim a levantar o braço para saudar os que me apoiam, troco umas palavras com "fulano e sicrano" e se aparecer o "beltrano" também vou na cantiga. Também danço, se a banda estiver a passar "aquele som"... E se o vocalista sorrir, eu sou menina para piscar o olho.

E vai daí está tudo certo. Correr também é celebrar. Mas também não me posso esquecer que estou a correr uma Maratona. E eu gosto de ter POWER na segunda metade da prova. Por essa razão, "controla-te" no início. Sorri, sim. Em vez de 10, levanta 3 vezes o braço, e em vez de dois dedos de conversa, faz só um "teaser". Estão a entender? E importa acrescentar que esta é a minha forma de encarar, atualmente, uma Maratona. Todos temos a nossa fórmula. E não temos de ser todos iguais. Recordo-me agora que, quando corri, no dia 15 de Outubro, a Mini Maratona EDP, tive uma experiência totalmente diferente daquela à qual estou habituada. Passei por grupos de corredores que cantavam à desgarrada, corredores equipados a rigor como manda o Carnaval... Tantos que paravam para apreciar o Tejo e tirar fotografias. Mas todos se moviam pela mesma paixão: correr! E está certo! E só isso importa.

 
 

Estava uma manhã linda para correr a Maratona. O único "senão" foi mesmo o vento, na reta final, nos últimos 5 km's. Tantas vezes me lembrei dos meu longos no Guincho. Para quem está habituado a correr em Cascais sabe bem do que falo. Da Casa da Guia até à Estalagem do Muchaxo, levas com tanto vento que "nem é bom pensar". Mas não deixa de ser bom... Treinei muito o meu core e a minha mente. Terminar em Split Negativo com vento em movimento dói!! Custa! Sofres! Mas vá.... No final sentes-te O MAIOR!! Só por isso, já valeu. 

Se analisar de uma forma geral, a prova correu lindamente. Tudo o que programei a nível de ritmo correspondeu. Até ao Km 30 mantive um ritmo constante entre 4:35/4:40 min/km. Os últimos 12.195m aumentei a velocidade progressivamente até 4:20min/km. PORÉM, o km 40 matou-me. Sabem porquê? Tanta gente do Bem a "puxar" por mim, de uma forma tão entusiasta e prazerosa que eu descontrolei a minha respiração!! Mas de tal forma que tive uma incontrolável dor de burro. Ai... Não sei como consegui manter-me a 4:30min/km. Ou se calhar sei. É a magia da reta final da Maratona. Ali já só corre o coração! E o meu foi na Bulina!!!!

Outro aspeto: tomei um gel ao km 14, como estava estipulado. Sinto o efeito do mesmo 15 minutos depois da toma. E é nessa altura que surge um ligeiro desconforto na barriga. Nem queria acreditar... "Agora?! Já?! Ainda nem comecei a curtir à séria e o intestino já está a resmungar?!" Eu sabia que, apesar de não ser uma dor aguda, se eu aumentasse a velocidade (e esse era o objetivo a partir do km 30), o meu corpo não ia deixar. Fiquei tão irritada. Mas não podia desistir. O que seria. Nestas alturas "obrigo-me" a ser super positiva. Tento ser a Super Mulher. "Esta dor vai passar porque eu vou lutar contra isso". Disse-me o João Catalão: "Alonga o tronco, coloca a mão na zona do desconforto e faz uma pequena pressão. Inspira e expira e vai passar". Boa! Dois a pensar positivo. Então vai passar." E passou!!!! 

 
 

Ooohhh yeeeeaahhhhh!!!!!

Mas também ajudou ter-me cruzado com o Ricardo (O Arrumadinho) – lá vinha ele, com um sorriso tão rasgado, tão honesto e prazeroso que foi o suficiente para, por momentos, eu me esquecer da minha dor. E depois vem o João Tiago. Só eu vi. Só eu senti aquele brilho. De quem está feliz a correr. Deu gosto olhar para ele. Foi um dos momentos mais bonitos da minha prova. "Give me 5, JT"!! Grata!! Tiraste-me a dor! E esta hein?!

Já não tenho dor. Não quero voltar a ter. Tenho medo de tomar o gel. Desta sensação é que eu não estava nada à espera. Não tinha programado isto. Ter receio de tomar um gel. Sempre tomei os mesmos, na altura certa. Mas algo neste dia não correu bem. Tinha receio de, ao voltar a tomar o segundo gel, ter novamente uma dor que podia comprometer o meu ritmo de prova. Então naquele momento, do Km 26 tive de decidir: tomar ou não tomar?! Eis a questão. Em vez de fazer o que estava estipulado (e toda esta dinâmica ia de acordo com os meus treinos), decidi escutar o meu corpo – pede ou não pede gel? Bom... Ainda faltavam muitos quilómetros. Decidi tomar meio gel. E foi a escolha acertada. Foi o suficiente. O resto da energia fui buscar aos apoiantes que eram mais que muitos ao longo da prova. E, claro, não descurei a hidratação – bebi água em todos os abastecimentos, assim como as bebidas isotónicas. E por falar neste último ponto, não sei se pensam o mesmo: é terrível ter de abrandar o ritmo drasticamente só porque as bebidas isotónicas vem em... Copos!!! Gostava tanto que a organização pensasse noutra alternativa. Não acham? Bom... Adiante!

Ainda a respeito dos géis – normalmente tomo sempre entre 3 a 4. Desta vez, por incrível que pareça, não cheguei a tomar 2. Mas também sei que isto aconteceu fruto da experiência e desta minha busca constante em conhecer cada vez mais e melhor o meu corpo. O meu objetivo aqui é apenas partilhar a minha experiência convosco. Esta decisão resultou comigo. Termos a consciência daquilo que o nosso corpo vale, ou dos nossos limites atuais, é meio caminho andado para fazermos uma boa prova. E perguntam vocês: então mas certamente o teu combustível durante os dois dias antes da prova influenciou?! CLARO. Mas tudo isso eu vou partilhar no VÍDEO que estou a preparar para vocês. Ehehehehe. Aguenta coração!!!!!


Neste dia corri muito a pensar em vocês.

Honestamente! Ao contrário da minha primeira Maratona no Porto – aí ia muito focada em mim. Estava com aquela ansiedade de perceber como podia reagir o meu corpo durante e depois de uma Maratona. Lembro-me perfeitamente de me ter cruzado com o "muro" no km 33. Durante 5 km corri a 5:20min/km... Vejam só o "empeno" que levei. Mas a verdade é esta – chego à conclusão que o muro tem muito a ver com a concentração. À medida que vais percorrendo os quilómetros, é mais difícil manteres o foco porque o cansaço começa a pedir atenção. Então se fores sempre ao mesmo ritmo, mais difícil se torna. Estão a ver porque é que eu gosto do Split Negativo? Pelo menos assim, sabes que vai ter de acontecer algo na reta final da prova. Sabes que vais ter de aumentar a velocidade e isso faz-me ficar mais alerta. À escuta. Na Piriska! 
Verdade pessoal!! É o que eu sinto! 

 
 

Cheguei feliz. Sem reservas no tanque. Mas feliz. E cada vez mais feliz. O meu coração ja não aguenta sabem...Eu sinto tanto que vocês gostam de mim. E isso não tem preço. Sinto-me grata. Eu sei que faço por vocês gostarem... 'Né?! Mas não deixo de ser uma afortunada. É que é tudo tão honesto que eu às vezes só quero é chorar! Ter, por exemplo, um cartaz na meta com a mensagem "Bélinha és IncríBel", ou um abraço sentido no final da prova, são apenas dois dos exemplos que fazem de mim a mulher mais feliz de sempre. Partilho convosco algumas das fotografias que chegaram até mim. Podem enviar mais para o meu ola@iamisabelsilva.com. Depois coloco-as todas aqui. Amor por vocês daqui até à lua.


O João Catalao 

3:14:03. Este é o meu record à Maratona. E a culpa também é dele. O João é um dos meus melhores amigos, que ama a corrida tanto quanto eu. Um brilhante osteopata. Um atleta de mão cheia. Consciente. E coloca a saúde e o bem estar sempre em primeiro lugar. E estas são as bases para correres com vontade até seres velhinho. Não basta apenas pegar nas sapatilhas e fazeres-te à estrada!! Correr bem não é correr muito. Importa correr com qualidade. E para isso, tens de treinar também: o descanso, os alongamentos, as massagens, as horas de sono, a alimentação, a hidratação. Não basta apenas fazeres o que diz no calendário de treinos. E é esta visão que me aproxima tanto do João. Vemos a corrida da mesma forma e respeitamos muito cada quilómetro de uma Maratona.

O ritmo do João é outro. Mas desta vez ele veio ao meu ritmo. Por opção. Até porque, eu bem sei, ele está a "guardar-se" para outra Maratona. Treinou comigo durante os 3 meses. E veio ao meu lado durante toda a corrida. Sei que para ele também foi uma bonita viagem. A "gente" não corre para bater recordes. A gente corre sim, para ganhar medalhas. E neste último ponto, basta correres. Com alma claro, para chegares ao fim e colocares a recompensa ao peito!

 
 

Gerir tamanha emoção foi realmente um desafio. Mas sem o vosso apoio, certamente não batia o meu recorde na Maratona.

42.195m – Finisher!
3:14:03 ✔

 
 

Fotografias de Beatriz Antunes