Bati o meu recorde na Meia Maratona de Munique!!!

 

Conquistei o meu SUB 1:30 nos 21.095m

Sabes porquê? Porque, ao contrário do meu último treino longo na preparação da EDP Maratona do Porto (5 de Novembro), eu não falhei o combustível: eu comi o mais adequado ao meu organismo, na hora e na quantidade certa. E é para isto que os treinos também servem – fazeres experiências e perceberes o que te convém.

Vamos lá voltas atrás... numa "rapidinha"

Isso. Para não perder muito tempo. Na preparação de uma Maratona, um dos treinos semanais são os longos. Hoje não me vou alongar sobre este tipo de treino, mas para vos explicar a minha energia e alegria na Meia Maratona de Munique, preciso de partilhar convosco, tudo o que correu mal no treino longo de 35 Km. E basicamente, no meu caso, teve muito a ver com aquilo que eu comi antes da corrida.

Desde a Maratona de Sevilha que não faço os verdadeiros treinos longos – e entendam-se por "longos", neste caso, os treinos superiores a 25 km. Esses sim esgotam as minhas reservas de glicogénio; esses sim testam os meus limites físicos e mentais. E eu gosto de os enfrentar de peito orgulhoso... Mas para isso eu preciso de me sentir preparada. Até podia estar, a nível de qualidade de treinos e descanso, mas não a nível de combustível, entenda-se, a alimentação.  Nessa manhã, eu posso dizer-vos que ao Km 17 eu já não tinha reservas. E eu sabia que era falta de comida – eu não tinha dores, não sentia lesões, não sentia pernas pesadas, não sentia falta de agilidade. Sentia falta daquilo que me define – energia!! E a melhor energia está nos alimentos. Alimentar o corpo é uma das partes mais importantes para uma corrida. Não é comer à bruta, muito menos cortar nos hidratos. É sentires que estás abastecido, mas "ágil" para correr. 

QuaIS foRAM os meu erros?

  1. Já não me lembrava da sensação de correr durante tanto tempo e encarei este longo à semelhança de um treino de 25km (ainda tinha mais 10Km pela frente) – a verdade é esta: já não fazia estes longos há 8 meses;
  2. Comecei o treino às 8h45. Devia ter tomado o pequeno-almoço 2h antes (atenção pessoal, estou a falar da minha experiência. Certamente outros atletas têm outros hábitos). Tomei às 6 da manhã. O quê? 1 Tapioca Grande recheada com puré de batata doce. Tudo isto é insuficiente. Na minha refeição pré-treino tenho sempre de incluir aveia e banana.
  3. Na hora do café, só comi 1 quadrado de chocolate de cacau. Devia ter comido 2.
  4. Não comi a banana 45 minutos antes do treino. Comi apenas mais um quadrado de chocolate.

Isto é só estúpido. Porém, na altura, achei que era o ideal. Lá está... Já não estava habituada a estes longo acima dos 30...

Por essa razão me senti, ao longo do treino, muito fraca. Foi terrível. É uma tristeza correr com pouco prazer. A minha vontade era desistir. Valeram os géis que levei. Tomei um ao km17 (outro erro. Só tomei quando me senti fraca. Deves antecipar a quebra, o dito "muro") e depois tomei outro (o último. Outro erro - devia ter outro suplente) ao km 27. Valeu o apoio dos meus amigos que me deram águas ao longo do percurso (a Fernanda Prim estava à minha espera no Padrão dos Descobrimentos com garrafas de água. O Rui Geraldes em Caxias – de facto, para além das águas, só de os ver já senti logo mais energia... É tão importante não estares sozinho nesta aventura. Ai... Adiante)

"By the Way", pessoal: eu neste treino comecei e terminei em sítios diferentes, o que dá a sensação de que o longo é ainda mais longo. Eu corri desde o Pingo Doce de Sacavém... Até à Praia de Carcavelos. Estão a sentir?! Pois... E é nestas alturas que penso – não fui ao meu ritmo, muita coisa correu mal, mas "caraças", eu corri 35 km de uma ponta à outra, sem parar. Sempre a correr. O meu pior min/km foi a 4:54. A minha média foi de 4.44 min/km. Eu não tive dores no pós-treino. A minha entorse no pé ficou curada. O João Catalão veio sempre ao meu lado. Eu cumpri o treino – o objetivo era, acima de tudo, colocar quilómetros nas pernas.

A verdade é esta – eu não deixo de ser IncríBel. Eu não desisti. Eu trabalhei a minha mente para uma possível adversidade no dia da Maratona. Todas estas experiências são importantes para te tornares, no futuro, num corredor mais feliz.

Tudo isto para vos dizer, e já me alonguei bastante (mas também achei importante partilhar esta experiência), que lá cheguei ao fim e, claro, dei um belo mergulho no mar. Aloooooonguei. Abasteci o depósito logo nos primeiros 30' após a corrida e... Continuei a abastecer durante os dois dias seguintes. Mesmo!! Fiquei de rastos. Esgotei o tanque. Fui mesmo ao fundo. E digo-vos mais: estou certa que, se corresse mais 1 km que fosse, acho que "caía" para o lado. Mas calma! Não caí. Cá estou eu. Cheia de POWER!!! 

Aprendi a lição. E fui com a lição tão bem estudada para Munique que acabei por bater o meu recorde. Cortei a meta com o maior entusiasmo e com a certeza de estar capaz de correr mais 3 ou 4 km ao ritmo do último km da Meia – 4:00! É assim que eu gosto de terminar. A dar tudo, "esgotar o tanque" mas saber que ainda tenho aquela energia extra que está guardada naquele cofre que só eu é que tenho a chave. Ehehehehe. TAU!

 
 

E antes de partilhar convosco o meu combustível antes da prova, deixem-me dizer-vos que a temperatura ajudou e muito. Estavam 9 graus. E esta temperatura, para quem quer colocar alguma velocidade, é só espetacular. A prova era no domingo. Cheguei na sexta. Valeu o treino de 10Km no dia da chegada e os 35' "calminhos" no sábado à noite. Porquê à noite? Porque a hora da prova era às 13h30 de domingo. Se achei tarde? Não. Na verdade lá faz muito frio e por essa razão nunca senti calor. Por outro lado, nesse mesmo dia decorria a Maratona e essa sim, teve início às 10h00 da manhã. Ainda acompanhei alguns maratonistas. Tive o privilégio de assistir a parte do percurso de algumas dezenas de heróis.

Agora é assim, e desculpem o desvio da conversa, correr uma Meia Maratona no mesmo dia da Maratona é perder um pouco de protagonismo. Estava tudo centrado na Maratona. Recordo-me que quando corri a Meia Maratona de Paris, essa era a única prova desse dia. De maneira que, o apoio nas ruas era todo direccionado para os atletas dos 21.095m. Neste caso, apesar da excelente organização da prova, o entusiasmo nas ruas não esteve tão vincado. Houve certas zonas de grande apoio (na zona histórica, principalmente), mas outras estavam desertas – só escutavas a respiração dos que corriam ao teu lado. Eh pah... Muita malta ofegante. Malta a dar mais do que aquilo que pode. Não podem ver uma rapariga na "bulina" e os homens sentem-se logo "picados"... É a ideia que tenho. Isto é daqueles pensamentos que por vezes guardo só para mim. Hoje decidi partilhar... Palize!!! "Quem diz a verdade não merece castigo". 

Mas não descuraram a música!!!!! Assim siiiimmmmm! Sempre que passava pelas bandas dava por mim a aumentar o ritmo. Considero-me uma corredora bastante consciente e cautelosa. No entanto, também sou profundamente emocional. Gosto de sentir tudo no limite e, por essa razão, nesses momentos, não tinha receio de ir na "gáspea" e na "piriska ". O corpo queria. E a minha mente também. Deixa rolar!! Vaaaaaiiiii!!!! Correr é sentir o vento a bater e a malta a apoiar. Olha, escutei muitas vezes o meu nome. Aliás, uma portuguesa gritou pelo meu nome na varanda do primeiro ou segundo andar do prédio... E um português deu-me um "give me five" e sorriu para mim. Isto sim foi um MEGA GEL!!!!!! Destes não compras. Tens de suar para os ter. Suei tanto que o meu Garmin apontou para as 1110 Cal. Para uma "lady", está TOP Mundial! 

Só mais um detalhe: eu cortei a meta no Estádio Olímpico de Munique. E terminar a Meia Maratona no Estádio, no meu caso, foi uma emoção a dobrar. Se bem se lembram, na Maratona de Sevilha eu tive uma dor aguda no peito nos últimos 10Km (podem ler a aventura aqui) e, por essa razão, cheguei ao Estádio Olímpico cheia de dores, em grande sofrimento. Não senti a magnitude do Estádio. Mas desta vez não. Desta vez senti TUDO. Senti a grandiosidade do Estádio e senti-me um Cristiano Ronaldo no seu melhor. Pah, só não tinha o estádio cheio e só o Catalão, a Inês e o Henrique (os três camaradas que também embarcaram nesta aventura) é que me conheciam. Mas de resto era igual. Foi mesmo uma emoção.

Depois é assim: uma prova que tem, à chegada, chá quente com mel já ganhou! É, certamente, o que mais me sacia depois de provas de grande desgaste. Um quentinho que invade o meu corpo e a minha alma. Até o meu intestino fica um mimo. Depois, para não "rapar" frio, tinha logo ali uma capa protetora. Banana, bolinhos "yummy", pão, coca-cola e colaboradores simpáticos não faltaram. 

 
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O João estava já à minha espera.

Claro. Eu corri a 4:12 min/km e ele a 3:35min/km. Agora pensem. Depois nó esperamos pelo Henrique. De seguida pela minha Inês. Estava a 200 metros da meta à espera deles com o meu melhor sorriso – "A meta é já ali. Já ganhaste", disse eu a todos os heróis que passaram por mim. Sinto que o meu apoio foi importante naquele momento. É aquele extra que te faz terminar a sorrir.

A Inês e o Henrique correram a sua segunda Meia Maratona fora de Portugal. Foi claramente uma superação para eles. E para mim um orgulho e felicidade. Adoro correr com pessoas que amo. Adoro partilhar, não só a corrida, mas tudo o que uma prova internacional envolve: viagem, casa, almoços, jantares, compras, dormidas, ânsias, treinos, gargalhadas... Enfim. Só de pensar já quero ir, outra vez. Ai Meu Deus. O Meu Cajuuuuuuuuu!!!! Fogo... Faltou o meu baby. Valeram os vídeos que o Rui Geraldes me foi enviando. Mais um Tio do Caju.

Bom, no meio destas minhas divagações, ainda não partilhei convosco o meu combustível antes da prova. Agora, atenção! Estou a falar-vos da minha alimentação para uma Meia Maratona. Para uma Maratona é preciso reforçar. Não muito mais, até podes comer o mesmo mas em maior quantidade. Mas isso és tu que tens de descobrir. Cada corpo é um corpo e nem todos temos as mesmas necessidades. Um dos meus desafios na preparação de provas tem muito a ver com a minha alimentação – perceber aquilo que o meu corpo necessita. O corpo precisa de energia para funcionar e és tu quem tem de descobrir a tua dose de energia. Como é óbvio há sempre aquela base que acho importante cumprir antes das provas (pelos menos 2 dias antes)

  • Aumentar a ingestão de líquidos;
  • Acrescentar hidratos de carbono à refeição – lembrem-se que hidratos são sinónimo de energia. E tu vais gastar essa energia toda;
  • Evitar comidas ricas em gorduras e com alto teor de sal.

Vamos lá dar combustível aos músculos

Eu escolho sempre comida fácil de digerir. Não sou amante de carnes vermelhas, muito menos de proteínas com alto teor de gordura, como por exemplo, os queijinhos. Sofro de outro mal: sou muito lambareira. Guardo esses momento de gula para depois da prova. Até lá mantenho o meu foco – dar a energia do Bem ao meu corpo. Se tive algum cuidado no dia anterior à prova? Sim. Nesse dia, e ainda para mais porque estou fora do meu país, tenho em atenção a água. Bebo pelo menos 1,5L água. Não bebo bebidas gaseificadas, não como fritos, e em todas as refeições desse dia incluí uma pequena dose de hidratos de carbono. Por exemplo, nesse sábado o meu pequeno-almoço foi:

  • Batido de banana e aveia e duas tostas com mel

Dali segui para a feira para levantar o meu dorsal. De 2 em 2 horas, até à hora de almoço, fui comendo pequenos snacks, como cenouras, barras cruas (já devem ter reparado que sou doida pelas barras da Pronatural, principalmente as marcas Raw Bite e Roobar. São ótimas e super "limpinhas", sem adoçantes nem óleos excessivos), chocolate negro (o da Iswari ou outros superiores a 85% cacau).

Quanto ao almoço, esse sim foi tardio. Começamos a almoçar às 17h00.

  • Como podem ver no meu Instagram, comi uma prato vegano rico em hidratos de carbono e proteína vegetal. Vegetais crus e cozinhados nunca faltam. Antes do prato ainda pedi um sumo verde rico em espinafres. Destaco sempre as proteínas vegetais por serem mais fáceis de digerir no meu organismo. Todavia, não me canso de dizer que, cada corpo é um corpo e é importante vocês testarem os melhores alimentos para vocês. 

Bom, como almocei muito bem, acabei apenas por fazer uma pequena ceia:

  • Bebida Vegetal com canela e três tostas de arroz. Não tinha fome para mais. Por outro lado, queria acordar com vontade de tomar um Mega Pequeno Almoço de Atleta. E assim foi. 

O dia da PROVA

Tiro de partida às 13h30. Ora, comecei a comer a minha primeira refeição do dia às 11h10, mais coisa menos coisa. Isso implicou "meter a mão" na cozinha as 10h45. Devo dizer-vos que acordei as 9h30 e, em jejum tomei os meus 6 comprimidos de Spirulina, o meu probiótico e tomei glucosamina em pó (na fase de preparação para Maratonas tomo sempre este suplemento. O desgaste nesta fase é maior, por isso, mais vale prevenir). Até comer ainda mandei abaixo 500ml de água. Categoria!!!! Fui logo 2 vezes à casa de banho. ImpecáBel!!!

O meu pequeno almoço

  • A famosa Panqueca de Banana da minha mãe. Espreitem a receita aqui + 2 colheres de sopa de iogurte natural de soja (sem açúcares pessoal. Leiam os rótulos. Às vezes o que diz ser light não significa que é o melhor) + um punhado de framboesas;
  • 500 ml de um Smoothie Verde à base de espinafres e maçã. Adorei a consistência e o sabor. Fiquei mesmo bem.

Posto isto, daí a 30 minutos cumpro sempre o meu ritual. É sagrado. Todos os dias, antes do treino tomo um café cheio com canela e 2 quadrados de chocolate negro superior a 85% de cacau ou então, mando abaixo os famosos chocolates da Iswari. Pah... Não aguento aquela textura. Então o que tem sabor a menta... Deixa-me tola. 

 
 

Siga para a partida.

Andei 2km a pé. Quando reservei casa, tive o cuidado de escolher um apartamento perto da partida. E valeu bem a pena. Fiz uma boa caminhada logo para ativar as pernas... E o intestino. Pois... Mal cheguei à partida, equipei-me e fui à casa de banho. Tive a sorte de a fila para a sanita não ter muita gente. 3 vezes à casa de banho. Limpei tudo. Espetáculo! Esta prova tem tudo para dar certo.

A cereja em cima do bolo, neste caso foi a BANANA!!! 45 minutos antes da prova. Faz toda a diferença. E digo-vos uma coisa: segui tudo "à risca". Comi tudo na hora certa e privilegiei os alimentos que nuca me deixam ficar mal, neste caso a aveia e a banana. Estes nunca podem faltar no meu pré-treino. E a verdade é que, ao longo dos 21.095m, nunca me senti cansada e sem energia como no treino longo da semana anterior. No treino de 35Km eu "bati no muro". E a culpa foi minha. É verdade que não estava livre de quebrar na prova, até porque corri a ritmo competitivo. Mas nunca seria por falta de combustível. Ainda levei 2 géis comigo. Tomei um ao Km 14 e foi o suficiente. Porém, levei um de reserva. Nunca se sabe. Também não falhei a hidratação ao longo da prova. Se perdes líquidos e sais minerais ao longo da prova, há que repor para não desidratar. Não vou dizer que bebo água como se aos houvesse amanhã. Mas dou goles pequenos, mantendo o ritmo e no final despejo o resto da água no meu corpo. Sinto-me IncríBel!!!!

E foi isto pessoal. Foi isto que eu fiz para correr de forma prazerosa, sem comprometer o meu entusiasmo. Respeito demais os sinais do meu corpo. Nem todos os treinos e provas correm ao nosso gosto. Mas quando não corre bem, que sejam por factores que não consegues controlar. Todos os que estão ao teu alcance, fica atento. E eu sabia que tinha falhado por algo que só dependia de mim. Falhar é bom. Porque quando vences essa falha, quando aprendes com os erros, o sabor da vitória dura para sempre. E esse sabor não tem tanto a ver com o recorde que bati, ou mesmo com a posição 12 na Geral Feminina da Meia Maratona. Tem a ver com o facto de eu ter terminado deste jeito alegre que vês nas fotografias e com o facto de eu sentir que podia correr mais uns quilómetros ao ritmo da minha chegada.

Encanta-me esta conquista de maturidade enquanto corredora. E cada vez mais tenho consciência do corpo onde vivo. E gosto cada vez mais dele. 

E tudo isto, a caminho da EDP Maratona do Porto com a minha querida Equipa do Bem By EDP.