Como o Caju mudou a minha vida

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ele gira à minha volta...

Por muito estranho que possa parecer, esta história começa com um periquito: o meu primeiro animal de estimação. Chamava-se Marco Aurélio, assim o baptizou o meu pai. Este nome é, no mínimo, bizarro, mas não deixa de ter graça: era o nome de um jogador de futebol que o meu pai gostava muito. Também tive o Zé, um papagaio real que animava tanto a nossa casa que a minha mãe ficava, grande parte das vezes, com os cabelos em pé.

Sempre disse que gostava de ter um companheiro de quatro patas. Os meus avós sempre tiveram cães. E os meus tios também. Eu ainda não tinha tido esse privilégio, mas também sabia que esse momento só iria chegar quando atingisse mais certezas e mais maturidade. Não é uma decisão tomada de ânimo leve. Eu sabia que no dia que um "patudo" entrasse na minha vida eu iria ter um compromisso para sempre: ele iria depender apenas de mim, ele seria umas das minhas principais prioridades e a minha vida nunca mais seria a mesma. E não é: hoje sou uma melhor pessoa e sou mais feliz simplesmente porque o Caju é parte de mim. Nunca pensei poder amá-lo tanto. Mas também sei que só quando o tivesse é que poderia chegar a essa conclusão. 


PORQUÊ UM PUG?
 

Bom… Eu gosto de cães. Ponto final. Se seria um pug, um cocker, um bulldog, um rafeiro, isso eu não tinha em mente. Mas sabia que não podia ser um cão de porte grande pelo tamanho da minha casa. Um dia, quando tiver um terraço maior, dou um irmão ao Caju; mas isso é outra história. Sempre tive uma ligação muito forte com a Carlota, a cadela do meu amigo Flávio Furtado. Achava-a querida, ternurenta, brincalhona e adoro que ela seja doida por “colinho”. Confesso que, com a devida dose, gosto de cães mimalhos, talvez porque goste de mimar. Um belo dia o Flávio, para me testar, em tom de brincadeira disse:

Um dia surpreendo-te com um pug na TVI.
Estás à vontade. Era a melhor surpresa que me podias dar. - respondi prontamente.

O Flávio “não vai de modas” e, alguns meses depois, aparece no estúdio, a 5 minutos de eu entrar no ar com um cachorrinho envolto num laço azul. Coloca-o no chão e ele vem a correr no meu sentido. Não consigo descrever o meu estado de ansiedade, alegria, confusão… Enfim. A adrenalina era muita e lembro-me perfeitamente que fiquei em pânico: dentro de 2 dias ia correr a Meia Maratona de Paris e o Flávio só me tinha deixado ração para 4 dias e 3 resguardos. E agora? Será que estou capaz? Quando peguei pela primeira vez no Caju ao colo pensei: “quero muito que sejas feliz ao meu lado”.  Desde o dia 1 de Março, a nossa vida tem sido uma loucura. 

 
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Porquê o nome Caju?
 

Sempre gostei de comer cajus. São sinónimo de energia e para além do mais, têm uma cor bege, é um nome curto e que fica no ouvido.


TAL ISABEL, TAL CAJU
 

Coincidência ou não, temos os 2 a mesma energia: ele é claramente o meu reflexo. Talvez porque trato o Caju como trato de mim: come bem, passeia muito, corre muito e brinca com todos – nós e os amigos de 4 patas. Muitas vezes gostava de poder estar ainda mais tempo com ele, mas tento sempre transmitir-lhe equilíbrio. Se hoje não passeamos tanto, no dia seguinte ou no fim-de-semana seguinte fazemos o nosso retiro. Eu não lhe falho, e ele sabe bem disso. Independentemente do meu ritmo de trabalho, o Caju sabe que pelo menos 2 vezes por dia passeamos um total de cerca de 2 horas. Nesse espaço, tem de haver tempo para tudo: cheirar, correr, brincar mas também acalmar. Tudo o que ele tem, seja em afectos ou brinquedos ou comida, ele tem de fazer por merecer. Gosto de o mimar, mas não gosto que ele seja mimalho. O que seria. Tem de ser “raçudo” e com personalidade.


A VIDA COM O CAJU
 

Não o nego: são muitas as vezes que ele me deixa louca. São muitas as vezes que ele exige toda a atenção do mundo. Foram muitas as vezes que tinha a varanda e a cozinha cheia de xixi e cocó (e isso deixa-me louca, eu que sou tão organizada na minha cozinha). E são muitas as vezes que eu não consigo fazer as minhas coisas porque tenho de lhe dar a atenção merecida. Às vezes não é fácil. Mas sabem que mais? Ainda bem. O Caju “obrigou-me” a parar e a gerir melhor a minha energia e ansiedade. Tenho dias que quero fazer todas as tarefas a que me propus: reportagens, treinos, marmitas, telefonemas, arrumações… Mas o facto de ele existir fez-me abdicar de algumas coisas. E uma coisa é certa: posso ter muitos afazeres, problemas e assuntos por resolver, mas quando chego a casa e pego nele para passear, acabo por conseguir abstrair-me de tudo e a valorizar aquilo que importa enaltecer todos os dias: a partilha e o amor pelo próximo. Nos passeios diários que faço com ele esqueço tudo e foco-me nele. E se me atrevo a atender o telefone ou a enviar mensagens, ele “reclama”. Aquele momento é nosso. E uma coisa é certa, no final do passeio consigo fazer todas as coisas agendadas para aquele dia com muito mais clareza e tranquilidade.